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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Reencarnação de Sarai


Carlos e Júlia eram casados há sete anos e a esterilidade de Julia condenou o casal a um lar sem filhos. Fato que fazia com que todo sabado de lua cheia Carlos soprasse no ouvido de Julia a idéia da adoção. Julia rejeitava, passou a ir a igreja para pedir a deus de volta o que ele havia lhe roubado. Mas o útero de Julia era podre, infestado de vermes que se alimentavam do esperma de Carlos e criança nenhuma havia de crescer ali. Júlia nutria uma fé infudada de ser mãe e pouco a pouco se afundava em sua obcessão. 

Precisava deslocar a culpa que caia sobre sua cabeça para o Carlos e danou a trair o marido de forma a tentar com todos os paus da cidade uma semente que germinasse. Os homens gozavam litros dentro de Julia e nada crescia dentro dela. O desespero em vomitar uma criança de suas ancas fazia com que Julia não negasse sua boceta uma vez sequer. A mulher imaginava uma criança diferente para cada homem que lhe visitava, ao ponto de ter sido mãe de várias crianças que jamais cresceram ou mesmo existiram. Julia chorava não pela dor da menstruação, mas por ser essa uma prova de que continuava seca. 

Sua loucura mantinha viva uma esperança que provou merecer ser preservada quando Carlos viu a barriga da mulher crescer durante cinco meses e não mais que isso. Nesses dias Julia sofreu um aborto enquanto caminhava nas ruas e expulsou de dentro dela uma criança morta. Em desespero e negação tentava empurrar a todo custo aquilo de volta para si. Chorava no chão com as mãos ensanguentadas a dor de ser amaldiçoada enquanto a multidão se amontoava em volta e fotografava com seus telemóveis o ápice da sua desgraça.  

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Francesa violadora de Verônicas


Eu estava a ouvir-te vomitar peripécias e não precisei espremer os neuros pra apontar para a francesa e tu me confirmou que era mesmo ela a que viola Verônicas de todas as cores, tipos e idades nos quartos de motel das saidas da cidade. Não que eu julgue moças pelo tamanho de seus dedos, mas nossa senhora a mão dela faz movimentos mais habilidosos do que o pau de muito pornstar a rebolar gozos em vinhetas de Cadinot. Penso eu que tu se divertiu uns bocados, já estou convencida e é melhor que pares antes que ocorra aqui um acidente e seja eu a violar tua Verônica. Os gajos estão sempre a assobiar quando anda na rua e penso nas perversões que eles tentariam quando descobrissem que gostas também de Verônicas e não só de cacetes. Sabe que esses tipos adoram certas histórias e pediriam para assistir essa pelicula. O que tu acharias disso? Abrir tua anca para a francesa enquanto eles as assiste esfregando suas mãos naquelas varetas. Duas gajas a explorar o terreno uma da outra, lingua nos seios virgens nunca chupados por crianças. Eu não gostaria de passar por uma cena dessas com esses pervertidos, preferia ter o corpo dela em um quarto com uma fluorescente no teto e a gente ouvindo Elvis amarradas com o braço - a sós, sem a platéia masculina a pleitear uma oportunidade de meter-se em algum buraco de bobeira.

sábado, 29 de setembro de 2012

Não tem ninguém em casa



ele não se importa com você

levante-se e tire os joelhos do chão
suas mãos estão grudadas 
indicadores alinhados 
apontando para o céu
não tem ninguém em casa

você não tem para onde ir quando morrer
Escolha qualquer droga na farmácia se quiser constatar
Olha eles tem umas coloridas bem legais
estou misturando algumas e tem gosto de tutty fruti
Corra até em casa

antes que eles lhe impeçam
você deu seu dizimo ao farmaceutico
agora está loucão
Chamem os paramédicos

tem um cara aqui de vinte anos 
engulindo vômito no chão da sala
ele esta se remexendo

dançando tchá-tchá-tchá 
e dizendo que vai lá em cima 

ele disse que vai provar 
que não há ninguém em casa

Carne moida sem batatas


A Lili era uma moça linda
Cabelos negros
cintura com vida própria
Então minha irmão conheceu o Toni

Toni tinha uma moto
a Lili adorava montar na sua garupa
O Toni e a Lili eram felizes

Um dia o Toni levou minha irmãzinha
e nunca voltarão
Nunca perdoei o Toni por esse dia

Ela esteve envolvida em um acidente 
você sabe que não houveram sobreviventes. 
apenas carne moida temperada com asfalto
Te levam para uma sala com pessoas colchões 
é aqui que você tem que esperar.
Os dois foram triturados pela maquinaria 
como carne de bicho moida  

atrás da porta tem uma velha 
a qualquer momento irá lhe chamar 
para fazer a confirmação dos corpos. 
Carne moida temperada com asfalto

Você sabe que ela esta morta, 
mas querem que você a veja. 
Carne moida temperada com asfalto. 

A hora chega e você chora 
como se não soubesse a tenra verdade, 
ela esta morta é ela e não outra. 
Sua irmanzinha agora é apenas
carne moida temperada com asfalto

Você chora, bate a porta 
e corre até onde te contaram que eles bateram. 
Sangue, sangue! 
Chão vermelho batizado com lágrimas. 
Mortos, 
reduzidos a carne moida temperada com asfalto

A Lili morreu
foi catada do chão
maldito Toni
carne moida temperada com asfalto