segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Espero que vire conto erótico

Alto, cabelo médio preto, branco, aparentando ter seus vinte e poucos anos e um sotaque de fora de algum lugar que ainda não associei. Logo que conheci o Matheus na primeira consulta previ que não seria fácil manter a postura com um dentista daqueles. Claro que eu fico todo tímido e sem jeito. A primeira coisa que ele me perguntou no seu consultório foi "Quais são as novidades?" eu todo distraído respondi "Nada de novo.". Ele riu e esclareceu "Eu queria saber o motivo da consulta.". Ele é super atencioso e tento não olhar nos olhos dele enquanto tô naquela poltrona, mas ai percebo que o peito dele está encostando em minha cabeça e eu começo a sorrir por dentro. Hoje, logo que cheguei no consultório ele tava de bobeira na recepção e me cumprimentou com uma piscada enquanto eu me derretia no chão. Ele me pergunta "O que você quer fazer hoje?", penso duas vezes antes de responder e solto um "Você pode escolher" enquanto na minha mente eu murmuro que devia ter dito "O que você quiser". As vezes, enquanto tava sendo atendido, sentia sua respiração acelerar e eu acelerava a minha também instintivamente, em alguns momentos seu rosto se aproximava tanto do meu que eu me perguntava sera que é agora que ele tira essa mascara e me beija?


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O que faltava (ou não) mencionar acerca de 2013

Voltei a ser bolsista e estou economizando dinheiro pra tocar minha vida pra outro canto assim que me formar, basicamente tudo que eu penso agora é isso, me formar, me formar e me formar pra ir embora. Ando jogando na loteria os mesmos números pelo menos uma vez por semana, esse têm sido meu plano B ever. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Madrugada (02)

Na rotatividade em que vivo o quarto não é constante. De dentro do quarto percebo se é dia ou noite com um empurrar mecânico gravado na rotina. De cima da cama de dentro do quarto ergo meu braço e exerço uma força sobre a portinhola. O quarto se invade de luz, sei que é dia. Junto da luz uma brisa e de dentro do quarto eu respiro aliviado. Eu tiro minha roupa e deito sobre os lençóis limpos. Mas o quarto não é perfeito. A noite quando eu e o quarto estamos a sós eu durmo. A porta do quarto cultivada agora aberta me acorda no meio da noite. Ouço sons, barulhos como se algo lá dentro se movesse. Encaro a porta com medo e intrigado com o que eventualmente poderá sair lá de dentro. Nada sai de dentro da porta, levanto da cama e procuro por brechas. Não as encontro, volto pra cama e o barulho para. Mas sei que o bicho continua ali. Sono, vultos, sons vindos do outro lado da galáxia. Manifestações.