sábado, 31 de março de 2012

Manchado de vermelho




Escrevo-te em vermelho esta carta que nunca lhe verei ler. Como te conheci e de onde tu vieste permanecerá mistério, estava só e depois éramos.

Trocamos nossas almas com palavras e com o sexo nossos corpos, mas agora te afasta de mim. Desencarna meu espírito do teu corpo. Esquece meu sorriso que de leve te pesa e busca outro que não aqui.

O mundo fechou a porta para nós e agora eu fecho a porta pra ti. Põe pra fora da minha a tua vida. Encarrego-te de tudo, pois é tua a culpa do nosso amor. Se teus olhos falassem mais baixo e se teus traços não atraíssem os meus eu ainda seria. Seria qualquer outro qual não o de agora.

Pela divida que tu tens faça o que te pedi. Peço-te ainda que vá até a porta da frente e colha a ultima rosa, corta-te no espinho prova do teu sangue e sente o gosto de mim.

Vou de encontro agora a Lúcifer, porque o divino já me rejeitou. E despeço-me de ti apenas para que minha alma saiba que meu corpo partiu e que ela venha a mim e que tu tenhas de novo o que é teu e que hoje eu trago comigo. Toma nessa carta a tua liberdade, teu espírito e deixa de mim.

Esquece nossos bons momentos juntos e lembre-se de mim sendo surrado como um animal na calada da noite, culpadas nossas mãos então dadas. Lembre-se dos nossos gritos de socorro e da apatia das pessoas. Faça, e faça-o agora.

Vire-se em amargura e preserve a tua vida porque a minha eu já perdi. Reduzo meu sangue a tinta e termino pra ti esta carta.

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