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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Comentando Podcast dos Lenhadores sobre Relativismo Biblico

Minha definição de deus é bem próxima da definição de uma grande interrogação, acredito que deus foi  criado pra justificar tudo aquilo que o homem não conseguia responder. Não saberia dizer o que deus vê quando me olha porque o conceito do que é deus pra mim não está bem formado. Mas se deus é a nossa imagem e semelhança posso tomar deus como tudo e todos e dispensar a existência de uma entidade física.

A questão do Relativismo bíblico é muito interessante. Poucas pessoas sabem separar a mensagem do primeiro amor das tentativas de controle social. Discordo inclusive da seleção que resultou na bíblia pelas mensagens de ódio e preconceito que alguns livros carregam porque apesar de se argumentar que aquilo foi fruto de inspiração divina vê-se claramente que alguns dos escritores se deixavam levar por convicções que ao meu ver não são coerentes com o conceito de deus.

Atualmente tenho considerado as investidas de igrejas protestantes muito vazias da mensagem deixada por Cristo. Arrisco afirmar que essas igrejas têm cometido erros semelhantes aos cometidos pela igreja católica na idade média. Igreja católica, aliás que vem ganhando mais meu respeito após grandes declarações do novo Papa (o Jesuíta Francisco). Um dia desses o Papa foi um fiel porta-voz de Cristo ao reconhecer que a salvação não dependia da religião, mas da conduta como ser humano de cada um.

E essa corrida em construção de templos cada vez maiores junto a obsessão em manter as pessoas dentro daquelas paredes? Eu encaro missionários que saem pelo mundo muito mais de acordo com o exemplo de Cristo do que os pastores preocupados em angariar fiéis cobiçando templos maiores. A ideia de associar a salvação a frequência assídua nos templos é uma ideia furada.

Se é pra existir igrejas que esses sejam espaços de discussão e aprendizado no formato de escola bíblica, onde a proximidade e participação das pessoas é maior e há oportunidade de interferência. O púlpito confere ao pastor uma santidade que só convém a deus, o temor das pessoas não convém à aquele sujeito. Sou bastante favorável a quebra do atual sistema das igrejas.

Link para o Podcast: Relativismo Biblico

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O manifesto (20 anos)




Crescemos numa época em que fazer sexo em público ou nadar nu na praia já era considerado obsceno e universitários transviados condenavam a libertinagem e julgavam-na como sendo uma puta falta de respeito com a sociedade ideal então instaurada que proibia ser humano que fosse a pisar na grama. O mundo agora então chato um lugar de enfeite cheio de placas e sinaleiras, continuamente agredido pela obsolescência programada condenada por ambientalistas e defendida por economistas sempre a lembrar da crise de vinte e nove.

O que poucos sabiam é que a motivação de tanto descaso do homem moderno em preservar o planeta Terra estava fundamentado na descoberta feita décadas atrás e mantida em segredo de um planeta gêmeo da Terra localizado há poucos anos luz e completamente habitável, este seria o maior caso de obsolescência programada da história se não fosse a razão de ser esse um segredo que poucos sabiam apenas uma mentira criada num momento de delírio meu e da Clarissa inspirado na esperança de que as pessoas soubessem o que estão fazendo e infelizmente elas não sabiam e tudo isso sempre foi um vamos ver se assim vai continuar dando certo alguém um dia encontrará uma solução pra toda essa merda inconsciente que estamos fazendo, sabíamos disso e não podíamos esperar até amanhã.

Éramos jovens, inocentes e capazes de sair discutindo com João que fosse sobre a necessidade de preservar a natureza, separar o lixo, consumir menos e toda a ladainha ecologicamente correta que aprendemos na internet. A gente era assim apaixonado por isso de salvar o mundo, pensávamos juntos, tínhamos uma ideologia, mas tudo isso um dia morreu ou transformou-se em algo novo quando caímos na real de que estávamos dando murros em ponta de faca ao atentar ao absurdo que seria o homem conseguir dá cabo do mundo depois de tudo que o planeta passou - a humanidade poderia cair o planeta seguiria por algum tempo praticamente inabitável e as velhas espécies existiriam de uma forma diferente, no fim a Terra daria a volta por cima renascendo de uma maneira totalmente nova, a beleza da Fênix.

Continuamos jovens e ainda pensamos juntos, no entanto ao invés do planeta tentamos salvar agora nossa existência que há anos vem se resumindo a mediocridade. Temos a consciência de que assim como a Terra tem se transformado para resistir as agressões do homem moderno, nós também precisamos reagir a altura contra o encaretamento geral da população mundial. Essa tornou-se a nossa causa, uma causa de poucos que nos fez ver em nossos vinte e poucos anos gente de vinte e poucos anos contra gente de vinte e poucos anos, um cabo de força apoiado pelo sistema que ria por não precisar enviar seus próprios homens. Tinha povo contra povo.

Helena chegou no inicio da noite e me encontrou cheio de lençóis estampados esparramados pelo chão pouco entendo aquilo que ela estava vendo.

- Que te passas na cabeça?
- Na verdade nada tem me passado, as coisas vêm chegando e se acumulando ao ponto que morreria se não as colocasse para fora. Se queres saber mesmo, isso que tu vê agora era o que me passava pela cabeça e que agora eu passo para fora. Dou de presente ao mundo a liberdade de minhas ideias e cabe a ele agora aceitar o novo...

Olhei para trás e ela já havia sumido nem mesmo a tempo de eu terminar o meu discurso. Cheguei mesmo na noite anterior a afundar em pensamentos justificando a insignificância de minha existência. A depressão do ter passado pelo mundo sem ter feito nada de grandioso ou mesmo ser importante ou amado por alguém. As coisas não tinham mais o mesmo valor e estava disposto a morrer sem mais prazeres sexuais. Interrompi o martírio a minha alma e optei por dar um valor a minha existência. Helena acabara de presenciar o inicio da revolução mental que me sucedera, mas estava ocupada demais para acessar a minha mente. A verdade é que nunca esteve interessada no que me corria naquele momento ou mesmo o que me motivava, apenas lhe interessava censurar-me, pois foi educada para o fazê-lo e ao notar as parvalhices que lhe falava chegou a conclusão de que ao me ignorar entregaria a mensagem de que pouco lhe interessava o que eu estava fazendo, que era só mais uma loucura e que não merecia sua atenção.

Comecei a cortar medidas e preparei toda a carne com agulhas e linhas. Fui tomado em frustração quando vesti a primeira peça e a projeção tridimensional do meu idealismo tomou uma forma diferente da imaginada na minha mente. Não desisti e culpei a falta de experiência, o tecido e o escambau. Costurei outra peça e mergulhei mais uma vez na decepção e arrependimento. Já não tinha meus adoráveis lençóis estampados. Meu idealismo transformou o pouco que eu tinha em retalhos e Helena voltava e ria-se de mim.

Embrulhei tudo em um saco plástico e joguei numa caixa escrito as besteiras que fiz nos meus vinte e poucos anos. Esqueci aquele episódio e sai determinado a me entupir de álcool porque era isso que fazíamos quando estávamos entediados. Nem precisava de muito para que eu saísse gritando olha o queijo a cada porte que via e rolava só de cuecas enquanto me aplaudiam. Eu não conhecia peras maduras até mastigar uma verde. Agora tudo envolve um apalpar e um mastigar e dependendo da experiência aquilo se repete ou nunca mais é tocado pelos mesmos lábios. Existe uma rotatividade, as cadeiras mudam de lugar enquanto estamos dançando em volta delas e algum dia sentamos onde agora há outro que antes não havia estado ali.

Ainda em pleno estado etílico vomito minhas respostas a todas as opressões sofridas e alguém o diz que o faço em função da bebida, quero nega-lo e então o nego. Faço, pois tenho de fazê-lo em honra de minha liberdade e o álcool é a manifestação desse grito. Dão-nos as costas e nos tiram os ouvidos quando estamos a falar de coisas novas, nos tratam como tratam dos bêbados. De certa ótica torno-os menos mentirosos quando bebo dando a eles enxurradas de verdade além de dar vida ao personagem que criaram. Arriscar o álcool, o antídoto que revela em cada um sua verdadeira existência humana, é ao mesmo tempo libertador e perigoso. Existem verdades que não nasceram para serem vividas nesse mundo e então se criam as regras que nos salvam e que nos matam. O limite da liberdade de um deveria ser a segurança do outro - o que pregam os hedonistas e não a bíblia.

Todo esse excesso de fazer e não fazer limitando a existência da humanidade faz de cada um de nós um vazio do novo. Uma uniformidade condenável. Somos todos alguém que poderíamos ser, alguns já estão mortos, cabe aos ainda vivos deixar saltar fora o outro sem atirar ou mandar de volta a casa.

Independente da credulidade de cada individuo o céu e inferno e deus e o diabo são figuras que dispensam a existência material porque ganharam ao longo do tempo um caráter moral onde o que é moralmente aceito é aliado a céu que está atrelado a deus e o inverso ao inferno, a casa do diabo. Mutável em função da cultura de um povo e da sua época a moral que determina onde o individuo passara sua eternidade varia conforme o contexto em que está inserido. A depender de onde e quando eu nasça poderei ser fadado a deus ou ao diabo. O conceito de pecado convencionado, o que é imoral, não é desta maneira algo que possa ser fixado e eternizado pela própria maneira que foi concebido. OS homens evoluem, o conceito do que é moral é transformado e pessoas mudam do céu para o inferno de milênio em milênio.

Nunca o fiz com a intenção de educa-lo, perguntei sobre seu vicio no cigarro com a vontade de quem almeja compreender o que move o outro. Chamar-me de sua mãe foi o suficiente para que eu não voltasse mais ao assunto e beijasse sua boca sabor nicotina. Minhas saudades suas tem cheiro de cigarro - é o mesmo das minhas roupas. Limito-me aos meus enrolados de cannabis. Há uma sensualidade envolvida no puxar e soltar da fumaça, um poder sexual afrodisíaco capaz de transformar palco em plateia. Desfruto do efeito, embora seja um tanto broxante toda essa mídia contra. Mulheres já narraram seu final feliz fumando Black de menta. A questão que pode ser levantada, quanto hedonista, gira em torno do definir onde o principio da busca do prazer sem ferir o outro chega ao seu limite tratando-se de cigarros. Um orgasmo pode valer o preço de um câncer, trata-se de aceitar o risco de corpo nu e entregar a sua alma – se assim quiser, assim farei – ou assistirei da janela.

- Vê aquela mulher vestida de amarelo, aquela mulher bonita.
- Posso ver uma mulher bonita, aquela vestida de amarelo.
- Seu nome é Juliana. Escolhi Juliana para me acompanhar nos passeios até a praça e não reclamo das asneiras que ela fala em público porque já estive em sua boca e sei da dificuldade em se achar moças que saibam fazer tamanho malabares com a língua sem derramar uma gota no chão. Um homem da minha posição precisa de um lugar para guardar o pau e particularmente não tenho fetiche em foder com cérebros como fazem em algumas igrejas.

Helena me perguntou em quem eu acreditava porque não admitia a descrença em deus. Há quem não enxergue a perversidade do bater das asas de uma borboleta, sempre vi além do movimento. É como puxar um fio de um lençol até que só haja linha. Uma porta aberta por uma infinidade de chaves onde ninguém sabe ao certo qual seria indispensável ou mesmo sobre a existência de algo com tal natureza. Um quebra-cabeça não pode ser terminado sem uma das peças. Eu acredito nas borboletas.

Eu pisco o olho e me vejo nessa imensa orgia com homens e mulheres masturbando seus corpos. A Clarissa foi a primeira mulher a me contar que se tocava. Tenho ainda o cenário construído na minha mente, a porta trancada seus olhos virados e quatro de seus dedos da mão direita massageando sua boceta. Meteram um filho na sua barriga, está casada e tenho que voltar a lhe perguntar se continua fazendo essas coisas.

A primeira vez que senti que eu era exatamente o que eu queria ser foi quando estava atravessando a rua fora da faixa e o sinal dizia para os pedestres esperarem. Eu estava com um jeans mágico, uma camiseta branca com um pentagrama pintado a mão e uma jaqueta de couro. Eu podia sentir o vento passando contra minha cabeça raspada e de algum modo aquele lugar e o que eu vestia me proporcionaram uma estúpida sensação de liberdade. 

Somos jovens, nos resta ter uma boa perspectiva para o futuro e a esperança só virá quando a gente desarmariar as armas, as flores não nascem sozinhas dentro das cidades. Estamos juntos nessa loucura impedidos de permitir-se a qualquer coisa porque não nos foi permitido permitir. Novos tempos exigem novos heróis e novos vilões. Acordem todos, Madalena está morta e os próximos seremos nós.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Tem beijo gay na Novela das 8




O ano é dois mil e doze o mês é das bruxas e os brasileiros esperam ansiosos pelo último capitulo da novela das oito que já chegou a render sessenta pontos de audiência a Rede Globo de Televisão, acusada de ser o ópio do povo do Brasil. Cientistas já cogitaram a possibilidade de um apagão assim que a novela terminar, senhores e senhoras seria uma rampa de carga épica! 

O mais incrível é que ninguém (estou generalizando) gosta de novela, mas todo mundo (estou generalizando, novamente) assiste. Não tem nada demais em assistir a novela das oito, não tem nada demais principalmente em gostar de assistir a novela das oito. 

Em setembro desse ano tive a oportunidade de acompanhar um dialogo com Odilon Rocha, escritor e diretor do filme A Novela das 8. Durante esse encontro o Odilon comentou que a teledramaturgia é o grande fenômeno brasileiro, porque fala diariamente com o público. Esqueça futebol e carnaval, ele disse – claro que concordei, aliás os meninos do vôlei têm feito muito mais por merecer, obrigado.

O filme A Novela das 8 presta uma homenagem à teledramaturgia brasileira e remete o público ao ano de 1978, tempos de ditadura militar no Brasil e de grande sucesso da novela Dancin’days de Gilberto Braga, transmitida pela Globo assim como a querida Avenida Brasil. Enquanto a novela influenciava o comportamento e o pensamento da massa, outros lutavam e morriam pelo fim da ditadura. De um lado a tensão política do outro Dancin’ days levando a ideia de liberdade para os brasileiros: “Abra suas asas, solte suas feras”.

O ponto é que a teledramaturgia se tornou algo integrante da cultura e da história do Brasil e devemos sentir orgulho pela qualidade de nossas telenovelas mundialmente conhecidas. Ao invés de condená-las e crucificar quem as assiste, devemos passar a analisar a sociedade brasileira e criticá-la através do que temos visto nas novelas pois além do enredo repleto de artifícios lúdicos as novelas carregam também uma série de paradigmas políticos/sociais que merecem nossa real atenção – principalmente os personagens mais caricatos. 

Ocasionalmente, na semana de estreia do filme do Odilon ocorriam grandes manifestações em prol do acesso aos arquivos da ditadura do Brasil. O filme foi parar em alguns tabloides nessa semana, mas curiosamente nenhum jornalista fez a ligação entre os protestos que estavam ocorrendo e o filme, as manchetes apenas diziam que tinha beijo gay na Novela das 8.

sábado, 30 de junho de 2012

Histeria coletiva nos levaria a contos de fadas


Somos invisíveis, podemos fazer qualquer coisa. Não ouça quando te dizem para. Histeria coletiva nos levaria a contos de fadas. Você pode dançar no meio da rua se estiver escutando música. Nunca desligue a dança de uma pessoa. Dance com ela, dance comigo. Chame um amigo para dançar se estiver escutando uma música. Invente uma coreografia. Não resista. 

Há um arco-íris no céu e você não mostrou pra ninguém ainda. Olha que lindo. Vê todas essas formigas e deixe-se levar. Elas estão te carregando no meio do jardim e você está se divertindo como nunca. Pare por três segundos respire fundo e corra com toda sua força em direção a um lugar alto então salte. Dê um grito, erga os braços acredite que você é um pássaro e então pouse, pouse no chão com os joelhos dobrados. Ouça os aplausos, você é um homem voador. 

Descubra seu super-poder e mantenha sua identidade secreta.  Feche os olhos no cruzamento e identifique todos os sons, se nenhum carro cantar mantenha os olhos fechados e atravesse a rua. Sinta a adrenalina nas suas veias.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O tal do Hedonismo



Em celebração aos breves dias de férias que vivo dei partida ao consumo desenfreado de filmes que há muito acumulavam e acabei revendo Lá Mala Educación, de Almodóvar. Desta vez prestando mais atenção no texto me deparei com o termo hedonista e não demorou muito para que o colorido Google desse inicio as buscas.

“Hedonismo. Palavra formada a partir do grego, hedonê, que significa prazer. O hedonismo é uma doutrina que defende que o prazer é o meio correto para atingir o objetivo supremo do homem, a saber, a felicidade; felicidade esta que tem como essência precisamente o prazer. A moral, para o hedonista, deve ser ordenada segundo o modelo que é dado pela busca do prazer, quer dizer, é considerado moral tudo aquilo que dê prazer e imoral tudo o que faça sofrer. Esta doutrina resulta da observação de que todos os seres buscam o prazer e tentam escapar ao sofrimento.”[1]

Claro que enchi os olhos com a filosofia hedonista e tive orgasmos múltiplos ao me deparar com alguns mandamentos no Blog Hedonismo Auto-Sustentável, tudo por finalmente encontrar uma fundamentação filosófica para minha ideologia e mais que isso descobrir que há muito sou um praticante da filosofia hedonista.

“Busque sua felicidade/Concentre-se em permanecer vivendo o presente/Trabalhe menos e realize mais/Não se leve tão a sério a ponto de desrespeitar-se/ Não se leve tão a sério ao ponto de desrespeitar o próximo/Crie o seu conforto/Olhe sempre que possível nos olhos daqueles que cruzarem o seu caminho/Banhe-se ao sol sempre que possível/Evite verdades absolutas/Relacionar-se profundamente com a natureza/Ria mais de qualquer coisa que lhe der vontade/Não tenha pressa/Desapegue-se dos valores distorcidos/Siga seus instintos/Preserve seus sentimentos e cultive os sentimentos do próximo/Relaxe e goze/Abandone a culpa”  [Blog Hedonismo Auto-Sustentável]

E vi outras vertentes não tão excitantes também com toda essa idolatria a aquisição de bens de consumo pelos olhos de Maria Lúcia de Arruda Aranha, em seu livro “Temas de Filosofia”, pensando o termo para as saciedades modernas.

“Em um sentido bem genérico, podemos dizer que a civilização contemporânea é hedonista quando identifica a felicidade com a aquisição de bens de consumo: ter uma bela casa, carro, boas roupas, boa comida, múltiplas experiências sexuais(...).”[Maria Lúcia de Arruda Aranha]

Fica evidente que a filosofia hedonista clássica, fundada por Aristipo, trás embutida em si um apelo pelo prazer carnal, mas Epicuro tratou de dar uma encaretada nessa corrente filosófica após uma avaliação moral e acabou afirmando que o prazer, para ser um bem, precisava de moderação e que os homens deveriam procurar os prazeres da mente, pois os prazeres do corpo causam, quase sempre, dores. Aqui prefiro ser tradicional e pontuo menos a corrente de Epicuro pelo lance da moderação, mas sem tirar sua razão.

“O hedonismo moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número possível de pessoas. (...) A filosofia hedonista retêm da famosa frase socrática "conhece-te a ti próprio" uma lição de egocentrismo utilitário. Para os hedonistas conhecer-se a si próprio era definir o prazer e procurá-lo.”[Filosofia Hedonista]

Acho linda essa coisa de definir o prazer e procurá-lo, mas há uma pedra no meio do caminho: a igreja. Associar prazer a pecado é algo quase que automático, lê-se lavagem cerebral. Se livrar das amarras da igreja é uma das necessidades hedonistas, o "abandonar a culpa". O Manu Serafim, religioso fanático fundamentalista cristão, julga o hedonismo como "um intento para justificar a imoralidade" e completa depois: "seja qual for o movimento que lute pra dissolver ao valores humanos essenciais devem ser combatidos!". Sinceramente, não esperava menos. 

Segundo Michel Flocker “hedonismo é a doutrina que considera o prazer ou a felicidade como o único ou principal bem da vida.” você pode discordar, mas no fim sente o gosto da verdade nessa afirmação. Finalizo com Cazuza citando Neruda: “Não foi Neruda quem disse: feche os livros e vá viver? Pois fui!”

[1] hedonismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-04-04].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$hedonismo>.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Marcelo Serrado, preconceito, hipocrisia e homofóbicos enrustidos


Marcelo Serrado interprete do Crô de Fina Estampa. Personificação do estereotipo que parte da comunidade repudia anda arrancando risadas de donas de casa entediadas, trabalhadores cansados, desempregados frustrados, crianças sem sono e etc.

Existem convenções que determinam se a pessoa é ou não homofóbica, se você tem amigos gays você não é homofóbico. Claudia Leite tem amigos gays, mas o filho dela vai ter que ser macho. Marcelo Serrado tem amigos gays, mas não quer que sua filha de sete anos veja gays se beijando, é inapropriado. E a lista só cresce, afinal toda vez que alguém é acusado de ser homofóbico um dos primeiros argumentos de defesa é esse, a regra é bem clara. Alguém lembra do casal gay agredido na avenida paulista? O estudante de vinte cinco anos suspeito de participar da agressão disparou logo “Não sou homofóbico, tenho amigos homossexuais”, aposto que o Marcos Paulo e o parceiro, ambos agredidos, não se convenceram.

Fina Estampa é uma novela violenta e carregada de questões complexas, foi o que alertou o Ministério da Justiça a Globo. A filhinha de sete anos do Marcelo Serrado deve adorar ver "cenas envolvendo prostituição, estigma, preconceito e violência familiar", mas graças a deus não tem beijo gay na novela, já imaginou o choque que seria para uma criança de sete anos? 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Como se deslava a mente de alguém? Acredito que a pergunta mais adequada seria, como se suja a mente de alguém?

Desde que nascemos quem e tudo que esta ao nosso redor passa uma série de influencias que de alguma forma despertara ou adormecera o gênio que cada um traz consigo desde quando a única coisa que importava era ver quem chegava ao ovulo primeiro.

Nascemos, somos criados, ensinados nos dizem como se portar e como se vestir e então aqui está. O resultado final. Imperfeitos, cada um a sua maneira. Alguns chorando pateticamente em algum canto da casa pelo que não se tornaram outros lutando para dar a sua vida algo parecido com o significado da palavra valor.

Frustrações, todo ser humano que se preze tem a sua coleção. Uns são mais exibicionistas que os outros e não muito raro assumem o papel de pobre diabo. Se for seu caso, se ofenda. O mundo precisa de pessoas menos passivas.  Outro dia estive em um santuário cristão e não se falava em outra coisa senão “como devemos ser obedientes”, todos consentiam com a cabeça enquanto eu me mordia frente a tanta aceitação.

Por melhor que seja a canção de ninar não podemos dormir por toda a vida o nome disso é morte (eu dicionário). O Brasil vive um The Walking Dead desde 1992, ano que parece ter sido o ultimo suspiro da juventude brasileira. Depois disso viemos nós, geração “Rebolation”. As desigualdades são gritantes, os políticos são corruptos, mas a economia do país vai bem e fevereiro tem carnaval com pagode na Bahia então quem se importa? Foda-se o Happy Rock. Sinto vergonha por estarem fazendo sucesso no Brasil Restart e Luan Santana, mas pensando bem que moral tem o mundo com Justin Bieber ganhando dinheiro por ai.

Se há algo que eu gostaria de incluir nesse texto seria uma resposta pra tudo isso, mas infelizmente não consigo pensar em nada além de perguntas. Nós, povo, sempre necessitaremos de mentes que pensem por nós e nos diga o que fazer e pelo que lutar?


sábado, 24 de dezembro de 2011

O inferno são os outros, mas os outros somos nós

Na praça o velho atravessa a rua e chega ao outro lado. Lá não há anjos nem deus, só existem demônios vestidos de pessoas. Chorosos apressados andam pra todo lado e desgraçam a vida de quem esta abaixo. 

O Diabo, para o cristão Belzebu para os íntimos Satanás, anda tristonho e preocupado, morre de medo de perder o controle do inferno pra essa madrasta rígida e conservadora, vestida de bege e que só usa saias - Meritíssima Senhora Sociedade. Casada com o Papa, dá lição de moral ao povo e os ensina a ser crente.

Meninas com meninos queimem os terreiros junto com os sodomitas e maconheiros. De noite, depois de assistir o jornal nacional, põe um a um pra dormir com a doce leitura de algumas páginas da veja. Soldadinhos obedientes, virgens, comportados. Que mãe não se orgulharia de filhos assim? Para o rebelde tem o milho no canto da parede, dá-lhes um emprego medíocre e em troca um salário mínimo. Aprende.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Com letra maiúscula


Ontem me irritei com uma coisa que li, achei de um fanatismo tão repulsivo a ponto de me fazer parar de girar e me perguntar o porquê que me incomodei tanto. Cinco minutos e parei de negar e me vi obrigado a admitir o quão religioso eu fui, eu sou - não quero ser. Já conheço a bíblia de cabo errado, digo de cabo a rabo. Eu li quase todas aquelas letrinhas, imaginei os monstros fantásticos do livro de apocalipse e cavalguei com os quatro cavaleiros. Imaginei Davi cuidando das ovelhinhas, e achei de um mau gosto só Jesus ter que acabar sendo preso numa cruz, mesmo com o spoiler da ressurreição no terceiro dia.

A certeza é que aos dezenove vejo a bíblia com muito menos brilho do que aos doze, quando mainha encontrou na igreja uma forma de me manter longe das drogas, do sexo e do rock in roll. Certa ou errada, eu realmente ainda não sei - mas sei que não funcionou por muito tempo. Sei que eu odiei tudo aquilo quando completei dezesseis, aos dezessete comecei a defender o direito de Judas no céu, aos dezoito ria enquanto o padre dizia a noiva no casamento como ela devia ser submissa ao seu marido (conforme a bíblia) e aos dezenove começo a questionar a existência de deus (com letra maiúscula). 

Tentei até virar ateu, mas apesar de todas minhas discordâncias com a bíblia sagrada (?) me recuso a desacreditar na existência de uma força ou conselho superior, seja divina ou alienígena. Acredito em algo que não sei ser o que a maioria chama de deus (novamente com letra maiúscula), e caso seja acredito que ele (com letra maiúscula, por fazer referencia ao deus com "d" maiúsculo) deve estar muito puto (com todo respeito) com as coisas que escreveram, fizeram e andam fazendo em seu nome. Amém.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vide a bula

É igual a quatro o número de mundos existentes entre duas pessoas: o mundo na visão de A, o mundo na visão de B, o mundo C (a intersecção dos mundos fictícios de A e B) e o mundo D que é o que chamamos de mundo real. Então é sempre válido pensar duas ou três vezes antes de sair por ai compartilhando suas conclusões. Freud deve explicar...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PL 122

Eu voto a favor da aprovação do Projeto de Lei 122. Voto a favor, pois sou contra qualquer tipo de preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

Voto a favor, pois quero que casais homossexuais tenham suas relações reconhecidas e seus direitos assegurados pela lei. Há quem vote contra devido à religião, educação recebida ou pelo simples desejo de continuar agindo com preconceito sem que receba a devida punição, respeito à opinião dessas pessoas, mas voto contra elas.

Voto contra o argumento de que "não tenho nada contra os homossexuais, sou contra o homossexualismo" discordo, pois acredito que isso é o mesmo que dizer "não tenho nada contra gatos, sou contra os seus miados". Não admiro quem não tem peito pra dizer que não aceita o homossexualismo sem ficar dando voltas, dizendo que não tem nada contra, mas continua falando mal em suas "cozinhas".

Voto contra quem vota contra o projeto, pois a igualdade é um direito de todos, e o fato de alguém ter um direito seu reconhecido não me prejudica em nada. E por fim voto a favor do projeto, pois concordo com cada palavra dita pelo ministro Joaquim Barbosa em sua argumentação no Supremo Tribunal Federal: "Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo".

sexta-feira, 4 de março de 2011

Loucura


Os loucos me atraem de uma forma especial. Provavelmente por estarem quebrando regras o tempo todo. Pessoas previsiveis não surprendem, guardam o imprevisivel para si e não compartilham com os que estão a sua volta - quanto egoismo.

Nem me lembro a quantidade de vezes que estava andando perto da grama, com meus amigos ,e de subito deitava na grama e ficava olhando para o céu - só porque deu na telha. Se pendurar numa arvore, pular de um lugar alto, sussurar uma música que não existe, achar graça de coisas aparentemente comuns. Porque se privar de tudo isso?

Eles ficam rindo do carinha que veste saias longas, daquela menina que fala sozinha, e da velhinha que cata lixo. Mas quantos param pra tentar entender o porque dessas pessoas agirem assim? E ainda que não haja explicação, porque continuar rindo depreciativamente dos nossos loucos? Se é que eles é que sejam loucos...

Acredito que se fizéssemos as coisas que nos vêm a mente, sem nos preocupar com o fato daquilo fugir a ordem convencional das coisas, seriamos mais felizes e o mundo um lugar melhor.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Por menos vacas no mundo


"...lembro que quando era criança fomos com os professores a um grande abatedouro, para conhecer seu funcionamento. Havia uma area destinada ao abate do gado, e ao ver uma vaca se ajoelhar antes de morrer, fiquei chocada, pois a mesma parecia esta pedindo que não fosse morta. Depois disso parei de comer qualquer tipo de carne." Nicolle Melo

Nicolle foi a minha primeira amiga vegetariana e sempre achei legal o fato dela não comer carne. Não comer carne é ecologicamente correto, além de trazer vários beneficios para a saude. As pessoas costumam reclamar que não conseguem parar de comer carne pois elas já fazem parte de sua dieta a muito tempo e que não é fácil adaptar-se a uma dieta livre delas. No entanto, existem inumeros tipos de saladas que podem substituir tranquilamente o consumo de carne. Digo isso porque já faz quase um ano que venho reduzindo o consumo de carne na minha alimentação e na maioria das vezes não sinto falta da carne, e só não afirmo que me tornei vegetariano pois confesso não resistir a convites para churrascos nos finais de semana.

Não penso em erradicar o consumo de carne da minha dieta, no entanto é importante que cada um faça a sua parte e caso você, assim como eu, não consigo eliminar completamente a presença de carne no seu prato, ao menos reduza o consumo e crie hábitos como por exemplo não comer carne nas segundas-feiras, acredite faz toda uma diferença.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Politica


No ultimo dia 11, frente aos protestos do povo egípcio, caiu o presidente do Egito Hosni Mubarak. Assistir a história acontecendo fez com que eu refletisse mais uma vez a respeito do quanto nós brasileiros nos omitimos frente as atuais injustiças resultantes da política corrupta instalada em nosso país. Comportamento esse que vai totalmente contra o adotado pela juventude brasileira em outros momentos de nossa história.

Comumente assistimos nossos governantes surrupiando dinheiro público e cometendo abusos de causar repúdio a qualquer cidadão de bem. No entanto, na maioria das vezes, nos resumimos a meros expectadores apáticos conformados com essa triste realidade, a qual a maioria julga não haver saída, em qual se encontra o Brasil.

As vezes começo a tentar articular alguma forma de protesto, mas nunca levo a idéia adiante. Acho que a falta de refletores me desanima. Sendo assim fico com essa vontade de mudança presa, sem saber o que fazer com a mesma. Não quero acreditar que a politica no Brasil não tem mais jeito, no entanto fica cada vez mais complicado não tornar-se acomodado com toda essa bagunça, e pouco a pouco nos tornamos uma geração sem peso na história.